
Neste contexto, entraram na pauta de seus pronunciamentos na tribuna da Câmara Federal, nos últimos dias, o aborto e o relacionamento homossexuais, uma vez que tramitam no Congresso Nacional projetos que favorecem estas práticas, que de acordo com o deputado atingem a família, a Igreja e os valores morais da sociedade.
Henrique Afonso é membro da Frente Parlamentar Evangélica e da Frente Parlamentar da Família e Apoio a Vida, instalada no início do mês de abril e da qual é um dos idealizadores.
Na entrevista a seguir, ele justifica seus posicionamentos, reafirma que não abre mão de suas convicções cristãs e pede o direito de professar sua fé.
Blog– Por que o senhor tem se posicionado de forma tão dura contra projetos como o do aborto e o da homofobia?
Henrique – Porque nunca a família, a Igreja e os valores morais que regem nossa sociedade foram tão atingidos como nos últimos anos. São inúmeras iniciativas que visam desconstruir a família e a sociedade brasileira e o Congresso Nacional tem sido a sede destas ações que buscam, nas proposições legislativas, guaridas e respaldos legais.
Blog– E por que ser contra o aborto?
Henrique - Para minha tristeza, minhas reflexões e os estudos realizados me levaram a concluir que nos bastidores desta guerra maldita, há o interesse econômico defendido pelos grandes laboratórios, pelas clínicas abortivas e os que vendem tecidos de fetos abortados. Há ainda, o interesse das grandes nações no controle populacional e o interesse, perverso, de muitos pela busca da construção de uma "raça pura e superior".
Blog – O senhor não acha que está tendo uma visão unilateral?
Henrique – Não, porque somos contra a morte e em favor da vida e como cristão identifico também que o maior interesse é do inimigo de nossas vidas que veio a este mundo para matar, roubar e destruir. Que veio para afrontar o Reino de Deus.
Blog – Se é assim a que o senhor atribui o grande apelo social em favor do aborto que existe hoje?
Henrique - Todas essas proposições que tramitam no Congresso e a movimentação em favor do aborto desconsideram a importância da vida e o temor ao Criador.
Blog – Mas o aborto já é autorizado em caso de estupro...
Henrique – Isso é um absurdo porque de certa forma já se autoriza a interrupção de uma vida exigindo-se apenas que a suposta vítima faça o requerimento do procedimento cirúrgico sem a necessidade de apresentar Boletim de Ocorrência Policial do alegado crime.
Blog – Além do apelo social, há um forte lobby no Congresso em favor disso. O que o senhor acha que pode fazer contra, além de se pronunciar?
Henrique - De posse de minhas convicções não me permito o silêncio e a omissão. E neste sentido fui um dos idealizadores da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida que já reúne mais de 200 membros entre deputados e senadores e já conta com uma extensa agenda de atividades começando pelo “Grande Clamor a Deus em Favor da Vida”, em Brasília, no próximo dia 08, terça-feira.
Blog – Um ato só de evangélicos?
Henrique – Não. Será um marco histórico. Será a primeira vez que católicos e evangélicos estarão reunidos clamando aos céus pela vida. Serão milhares de pessoas em uma caminhada até a Praça dos Três Poderes para entrega de um documento ao Presidente da República com a posição dos cristãos brasileiros contra a prática do aborto.
Blog - E sobre o preconceito a respeito da prática da homossexualidade?
Henrique – Não se trata de preconceito, mas de estabelecer o contraditório em termos de liberdade de expressão e expressar valores éticos e cristãos não é uma tarefa muito fácil e eu estou pagando um preço. O Setorial GLBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais) está pedindo o meu enquadramento no Conselho de Ética, na Executiva Nacional do PT que, dentro das suas resoluções, defende a liberação do aborto e a livre expressão sexual.
Blog – Isso significa uma guerra, como a imprensa nacional já chegou a noticiar?
Henrique - Só estamos exercendo o nosso direito republicano e democrático de expressarmos nossa profissão de fé na palavra de Deus. O que acreditamos em termos de conceito de família está no Livro Gênesis, 1:26-27. Quando o Senhor diz “façamos o homem à nossa imagem e semelhança, o que concebemos é que há o homem e a mulher”.
Henrique - Não somos homofóbicos como estão dizendo. Somos contra qualquer ato de violência física e psicológica aos homossexuais, mas não aceitamos a prática da homossexualidade. Estamos dentro dos nossos princípios cristãos e queremos ter o direito de expressarmos isso mesmo que nos chamem de retrógrados, de conservadores, de tradicionais em termos de família.
Blog - A Igreja não estaria, com isso, querendo impor sua ideologia?
Henrique - Há pessoas que já me disseram que, como evangélicos ou católicos, devemos deixar a Igreja lá, porque aqui é o Estado. Mas não se exige isso dos outros segmentos e das outras ideologias, das outras concepções filosóficas de mundo. Porém, quando nós, cristãos, queremos trazer o pensamento de Jesus para cá, somos podados, ridicularizados, somos tratados como se fôssemos extemporâneos, fora do tempo e não somos fora do tempo, só queremos o direito a liberdade de crença, a liberdade religiosa e a liberdade de expressão. É preciso dar liberdade aos homossexuais, como eles querem, mas queremos também a nossa liberdade de professar a nossa fé.
Blog – O senhor tem sido muito criticado. Como encara esse fato?
Henrique – Não temo as criticas e as censuras, pois tenho a convicção de que essas e muitas outras ações visam o fortalecimento da família, o resgate dos valores morais e a proteção à vida. São ações que exigem uma grande dose de coragem e ousadia, mas estou certo que estou fazendo a coisa certa na busca de um Brasil melhor.
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